segunda-feira, janeiro 23, 2006

Gasto meus olhos em ti

Gasto meus olhos em teu corpo lindo
E fico cego nesse louco olhar!
Já nada vejo e, tacteando o ar,
Perco minhas mãos nesse espaço infindo!

P’ra não te ouvir, sinistramente rindo,
Os meus ouvidos cessam de escutar
E o meu nariz suspende o inspirar,
P’ra não saber p’lo ar que tu vens vindo.

Piso a minh’alma, rasgo os meus sentidos,
Arranco deste ser o coração,
P’ra não voltar, jamais, o insano amor;

Atiro à terra os sonhos já perdidos,
Desfaço no meu ser toda a ilusão
Que outrora fez de mim um sonhador!


joao lopes em 1988

8 comentários:

sofia disse...

Isto é um fogo a consumir madeira.

Anónimo disse...

Maravilhoso...
Beijo JL

Bitta disse...

Adoro poesia...
Por isso adorei este blog...
Parabéns Pelas palavras tão bonitas!

Voltarei para espreitar o que a pena trará de novo...

Eduardo Leal disse...

João,

Este soneto, como de costume... é música!

sofia disse...

Parece o crepitar da lenha. (ou estou com frio, ou a pirómania está a voltar...):)

blue note disse...

Lindo...

segurademim disse...

desfaço no meu ser toda a ilusão... ai JL engraçado ler o que se escreve a 20 anos de distância!!!!

Não me pareces nada um ser amargurado - o poema é lindo!

:)

Thiago Forrest Gump disse...

Muito bem construído. :D