quarta-feira, janeiro 04, 2006

Estranha embriaguez

Que estranha que era aquela embriaguez;
Não de vinho, ou outro álcool qualquer,
Mas dum fel tão amargo de beber,
Que me tirou, se eu a tinha, a altivez!

Aquela era diferente, e não me fez
Cantarolar, mas lágrimas verter
Não me deu mais visão, fez-ma perder
E a estes meus ouvidos deu surdez!

Não vejo, já, mais nada à minha frente,
E, se me falam eu torno-me ausente
P’ra depois não dar voz ao coração.

Oh! Que estranha! Oh! Que estranha era a bebida
Que eu traguei e amarguei na minha vida...
...No cálice do amor, bebi paixão!

joão lopes em 1988

4 comentários:

Eduardo Leal disse...

Ora pois!

Um Poema genial... sobre o mais potente dos psicotrópicos.
Uma droga que vicia pelo sofrimento.

Que me desculpe a tua "cousin" Sofia, mas ainda por cima bem construído...

Tenho esta mania... de ver formas para além dos conteúdos...

sofia disse...

:) Consta que essa "cousin", Eduardo, é que é cheia de manias. Azar o dela! :)
Muito bonito, JL. E muito intenso, como sempre. Sente-se imenso.

Su disse...

gostei de ler/sentir essa embriaguez
jocas maradas

Manefta disse...

É pá...pronto foi paixão...eu já aqui preocupada que tinhas bebido lixivia, mas pronto , bubeste da paixonhe lol Bem deixei duas penas, e ja adicionei aos favoritos, uma beijoca aos dois autores prontes.