segunda-feira, junho 07, 2010

Como um grão de areia
assim me sinto
neste deserto de mim.

E enquanto estes meus pés,
com que marco a praia,
se afundam no peso de si mesmos
e da viagem…
sobre tantos outros grãos,
estes de areia real,
inspiro o cheiro a sal
a algas
e da distância imensa
de um horizonte maior.

Como um grão de areia
de mundo às costas
e tantas histórias.

Porque o tempo, a água e o vento
conspiram para mudar
as dunas de lugar.

E eu com elas!

Como um grão de areia
sem cimento,
esse barro que nos une,
e nos faça,
ainda que pequenos grãos,
destino comum
outras praias
de olhos e de mãos.

Como um grão de areia
assim me sinto
enquanto olho a praia
na indiferença toda
ante o mar.

Baralhando as contas
e em cada volta da onda,
em cada grito de espuma,
no espanto de cada duna,

recriando o seu lugar!

1 comentário:

um Ar de disse...

Lindíssimo, Eduardo!...
.
Vale a pena voltar aqui
[Nossa Pena]
.
Beijo...@