sábado, março 15, 2008

Quando um dia
tu vieres assim
silenciosa
pegares em mim
e me levares no teu abraço...

Recorda então
de mim, nos outros
todas as palavras.

Permite no teu sopro
que respire ainda
o sorriso imenso que calaste.

e faz do meu silêncio
abrupto e frio
todo o calor
que há
no meu eterno rio.

13/06/2005

2 comentários:

um Ar de disse...

Ainda será cedo...
Acho que ainda é.
Acho. Ponto final. Parágrafo.

A Morte é sempre feminina...
será só na língua portuguesa?
abraça mas cala, enregela...

Porque lembraste, tu
em poema a sua inevitabilidade?

Os 15 anos da tua filha?
A distância que te separou
inevitável, também ela?

Não duvides que ficam
as palavras...
mas fica muito mais:
enquanto dos outros
a memória não for,
pela mesma Morte abrupta,
silenciada nesse abraço.

Não é um afago maternal...
A Morte e o seu género
parece-me um artifício
das línguas e das culturas.

Podia ser o Fim...
Mas deixaria pouco espaço,
ou nenhum, para as palavras
e tudo o que revive,
de nós, nos outros.

Talvez, ninguém ousasse
celebrá-la em poemas...
E quantos os há que
dela falam, assim...
Como se de uma mãe
implacável se tratasse?

Um beijo fraternal.

Meg disse...

Eduardo,

Pena minha não te ter visto lá por casa neste dia 14, mas ainda lá podes ir. Foi muito bonito, o 1º aniversário do blogue. TUDO.

Estou também a fugir a comentar este poema que acho mesmo não ser para comentar. Íntimo, é assim que o sinto.

Um abraço

E ainda há bolo!